sexta-feira, 31 de julho de 2015

A Trilha - A. V. Seixas (2014)

No meu planejamento eu ia postar somente uma resenha/crítica/texto sobre um livro de cada ano. O livro de 2014 escolhido foi O Oitavo Selo, mas coincidentemente eu acabei lendo este livro super legal e super empolgante, que também é de 2014: A Trilha, de A. V. Seixas.

Esse livro é uma autopublicação e portanto não é muito conhecido, mas eu tive muita vontade de divulgá-lo para dar apoio à literatura nacional e claro, a este livro.

A Trilha é o primeiro livro da Saga Linear e é voltado a Jovens Adultos (Young Adults), que vai dos 14 aos 21 anos, segundo o site do livro. Ou seja, eu, com 24 anos, já estou um pouco fora do público alvo e quem sabe por isso tenha algumas coisas que não me envolveram tanto.

A ideia do livro é genial, uma menina de 16 anos, Alexis (ou Alexandra Vienna) é filha de uma antropóloga britânica e um milionário brasileiro. Li em algumas resenhas escritas que incomodou a alguns leitores o fato de Alexis ser madura demais, mas isso não me incomodou. Alexis não teve uma infância normal, como outras crianças, pois sempre viajou pelo mundo com sua mãe, durante suas pesquisas e descobertas, e por isso estudou com os colegas de sua mãe e é poliglota. Depois de alguns anos viajando pelo mundo, Alexis e sua mãe se estabelecem em Londres e é nessa cidade que a história começa.

Vemos Alexis indo para o cinema com seus dois amigos britânicos, Jonathan e Vicki. Depois do filme eles vão para um café ou lanchonete e depois cada um vai para a sua casa. No capítulo seguinte, porém, Alexis acorda no meio da Floresta Amazônica, sozinha, e sem a memória do que viveu durante os últimos seis meses!

A partir daí vem uma aventura cheia de ação em que Alexis (e os leitores) vai em busca de sua memória, e de pessoas desaparecidas na Amazônia. A maior parte do livro é muito empolgante e cheia de mistério. Eu fiquei com muita vontade de adaptar o livro pra o cinema (apesar de ser uma superprodução e eu não ter dirigido nenhum longa ainda), pois achei com um potencial para uma ótima aventura.
Há uma parte, porém, que não achei muito empolgante e que talvez seja por eu não ser do público alvo, como falei no começo. Foi o romance que acontece entre Alexis e um outro personagem. O romance acontece na segunda parte do livro e funciona como um respiro para as primeira e terceira partes, que têm muita ação. Eu ao menos entendi a função desse romance como um respiro, pois não vi muita função (dentro da narrativa) para o par romântico de Alexis, mas achei que o respiro não era necessário. Afinal, eu queria ver os mistérios resolvidos logo!
Quem sabe eu não tenha achado graça só porque não entrei no corpo de uma menina de 16 anos, ou quem sabe esse par romântico tenha alguma relevância nos próximos livros.
Se não tiver, e se eu fosse uma editora desse livro (chamando atenção aqui para as editoras publicarem esse livro!!!) eu falaria para a autora diminuir o tempo (em páginas) desse romance, talvez excluir cenas (tipo a da piscina, que é bem bonitinha, mas não move a narrativa para frente). Eu falaria: mais girl power, Amanda! A Alexis não precisa de um menino! Ela já é foda sozinha!

Há outras coisa que também me incomodaram um pouco, que é a relação de Alexis com seu pai e seu avô. Ou melhor, a relação deles com a menina. O que me incomodou não foi problema de escrita, mas acredito que da própria caracterização dos personagens. O fato do pai e do avô de Alexis serem tão distantes dela, de sempre estarem trabalhando. Como quando ela retorna para a casa do pai, em São Paulo, e o avô não vai visitá-la! Ou quando o pai vai buscá-la lá na Amazônia e parece que fica mais triste em ver que a mãe de Alexis (sua ex-mulher) ainda não foi encontrada que feliz de ver sua filha viva, inteira.

Enfim, o livro termina com um ótimo gancho para o próximo livro (que deverá ser lançado ainda esse ano) que me deixou com muita expectativa. Espero que seja o livro que resenharei em janeiro de 2016!

O livro tem versão digital disponível para download gratuito aqui.